Idoso de 103 anos que passou por duas pandemias, conta sua história de superação

Sobrevivente da gripe espanhola, que contraiu e superou em 1918, morador de Bocaina (SP) admite temer o coronavírus e relata como enfrenta o isolamento social e a saudade dos netos e bisnetos.

O ex-bancário e advogado aposentado Luiz Valentin Villanova, de 103 anos, morador de Bocaina (SP), tem logicamente muita história para contar. Neste ano, porém, ganhou um reforço em seu repertório de aventuras com a chegada da pandemia mundial de coronavírus. Afinal, o idoso é uma das poucas pessoas no mundo que está enfrentando a sua segunda pandemia na vida.

Nascido em fevereiro de 1917, Luiz Villanova ainda era um bebê quando precisou enfrentar os desafios de uma pandemia mortal que assolou o mundo. Historiadores estimam que a gripe espanhola matou 50 milhões de pessoas no mundo, dentre elas cerca de 35 mil brasileiros.

E entre os brasileiros infectados por aquele vírus que era um subtipo do Influenza A/H1N1 e que chegou ao país no fim de 1918, estava o morador de Bocaina, que pegou a gripe espanhola junto com seu pai. Villanova, ainda criança, ouviu dos pais o que era enfrentar uma pandemia.

“Logicamente não me lembro dos sintomas, porque era um bebê, mas meus pais me disseram que tive sintomas leves e não sofri muito, ao contrário do meu pai, que ficou muito mal e quase morreu. Mas superamos a gripe espanhola e meu pai só foi morrer aos 91 anos de idade”, diz Villanova, orgulhoso a longevidade que é marca da família.

Nesta semana, Luiz Villanova resolveu gravar um vídeo para contar para familiares e amigos como vem enfrentando a sua segunda pandemia da vida. No vídeo, o ex-bancário e advogado aposentado explica que faz uma quarentena tranquila e ainda ensina a receita para manter uma saúde que ele classifica como “perfeita”.

Morando em uma chácara com uma das filhas e o genro, Villanova admitiu que sente um “medo natural” de contrair o novo coronavírus. Mas encara a situação com serenidade porque se sente protegido em seu isolamento domiciliar.

“Todo mundo tem que quer ter [medo] dessa droga que está acabando com os povos do mundo inteiro. Mas leio jornais todos os dias e estou acompanhando o movimento da doença, só não sei o que vai acontecer”, disse.

O aposentado garante que segue as orientações básicas do isolamento, como usar máscaras quando precisa sair de casa, além de se alimentar bem e tomar sol todos os dias.

A “parte ruim” deste momento de pandemia, diz ele, é a saudade da família, o que inclui os seis filhos, 15 netos e 12 bisnetos. Para Villanova, o consolo é a existência da internet, que o ajuda a aproximá-lo de todos.

“Isolamento é sempre ruim, não pode ter contato, nem os filhos vêm aqui. Só converso com todos pela internet, mas pessoalmente seria muito melhor”, diz.

Luiz Villanova nasceu em Bocaina e diz que só deixou a cidade aos 34 anos para seguir sua carreira de bancário na capital paulista, onde morou por 66 anos e também trabalhou como advogado, até retornar à cidade natal.

Bocaina, cidade com pouco mais de 12 mil habitantes, registrava até este sábado (30) dez casos confirmados para Covid-19 e uma morte, segundo o governo do estado de São Paulo.

Fonte: G1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *