Coronavírus: Perícia confirma que corpo de doméstica foi mesmo trocado em hospital

Duas mulheres morreram vítimas da covid-19 no início desta semana no Hospital Espanhol: a doméstica Arlete Santos Reis, de 44 anos, e Rosângela de Jesus Santos, 47. Uma troca entre os corpos delas trouxe um drama à família das duas. Na noite desta quinta-feira (4), o advogado da família da doméstica, Humberto Pinto Neto, confirmou ao CORREIO que a perícia do Instituto Médico Legal concluiu que o corpo que havia sido enterrado pela família de Rosângela era o de Arlete.

Na terça-feira (2), a família de Arlete percebeu que houve uma troca de corpos, quando o irmão dela, o eletricista Jairo Reis, foi ao hospital liberar o corpo para sepultamento. Ele descobriu que o corpo da irmã tinha sido trocado e já sepultado em outro local pela família de Rosângela.

O corpo enterrado pelos familiares de Rosângela foi exumado às 16h desta quinta no Cemitério de Portão, e Lauro de Freitas. O procedimento foi acompanhado por um oficial de Justiça e pelo advogado da família. Pela manhã, cerca de 20 familiares de Arlete chegaram à frente do Hospital Espanhol, por volta das 10h. No inicio da tarde, eles foram ao IML, onde vão aguardar a chegada do corpo exumado para perícia.

A família diz não ter certeza sequer se Arlete de fato está morta ou se continua internada na unidade. Segundo o Hospital, o corpo de Rosângela, a mulher que deveria ter sido sepultada pela outra família, continua na unidade e só poderá ser liberado após o reconhecimento do corpo de Arlete.

Nesta quinta-feira (4), o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR) informou que o diretor, Mário Câmara, recebeu às 10h52 a decisão judicial autorizando, com urgência, a exumação do corpo sepultado no Cemitério de Portão, em Lauro de Freitas. A ordem judicial foi emitida na manhã desta quinta (4) pelo juiz Gilberto Bahia de Oliveira, que considerou a situação “de muita gravidade”. Já havia uma decisão favorável anterior, de quarta-feira (3).

Segundo informações do IML, não há ainda um prazo exato para que o procedimento seja concluído, uma vez que, primeiro, o corpo precisa ser exumado e, depois, será levado até o IML, em Salvador, onde um perito fará a identificação para apontar se é ou não o corpo de Arlete o que está sepultado.

De acordo com Humberto Pinto Neto, advogado da família da doméstica, a presença de um familiar, provavelmente, será solicitada no momento de identificação no IML.

“O IML vai designar uma equipe para ir a Lauro de Freitas e lá, junto com a Sesp – Secretaria de Serviços Públicos do Município, irão dar cumprimento à decisão para fazer a exumação do corpo. O caixão vai ser então desenterrado e transportado para o IML, onde será feita a identificação, para então o corpo poder ser liberado”, explicou.

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