Governo libera uso da Cloroquina para pacientes em estado leve da covid-19; classe médica discorda

Governo libera uso da Cloroquina para pacientes em estado leve da covid-19; classe médica discorda

Após pressão do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde cedeu e ampliou o protocolo para uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento de pacientes da covid-19 na rede pública de saúde. As novas regras autorizam o uso do medicamento desde os primeiros sinais da doença, sem que haja necessidade de internação. Até então, a recomendação era feita apenas para pacientes em estado grave e em âmbito hospitalar.

É importante destacar que não há comprovação científica dos benefícios da cloroquina e de seus derivados no combate a covid-19. Médicos também alertam para os efeitos colaterais que o remédio pode causar, principalmente sem acompanhamento de um especialista. Veja no vídeo mais detalhes sobre o assunto.

SAIBA MAIS:

Mandetta diz que Bolsonaro tentou alterar a bula da cloroquina

Se não há comprovação científica da eficácia do remédio para combater o novo coronavírus, qual o interesse do presidente em que você o tome? Cloroquina O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tentou alterar a bula da cloroquina no começo da pandemia do novo coronavírus no Brasil, afirmou o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A intenção do governo federal, segundo Mandetta, era indicar na bula que a cloroquina seria recomendada no tratamento contra a covid-19. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews.

“O presidente se assessorava ou se cercava de outros profissionais médicos. Eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, um decreto presidencial… E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19”, afirmou Mandetta, ao canal.

O ex-ministro disse que havia ministros, integrantes da AGU e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, no encontro. “O próprio presidente da Anvisa se assustou com aquele caminho, disse que não poderia concordar. Eu simplesmente disse que aquilo não era uma coisa séria e que eu não iria continuar naquilo dali, que o palco daquela discussão tem que ser no Conselho Federal de Medicina. Então, é lá que esse debate tem que se dar. Não adianta fazer um debate de uma pessoa que seja especialista na área que for, com um presidente da República que não é médico. A disparidade de armas, já que a frase está tão em voga, é muito difícil”, relatou Mandetta, defendendo que decisões deste tipo deveriam ser feitas com base na ciência, sob aprovação de médicos.

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