Pesquisadores da Fiocruz são ameaçados após primeiros estudos sobre a cloroquina

Fiocruz diz que ameaças a pesquisadores de cloroquina são “inaceitáveis”. Cientistas passaram a sofrer ataques de seguidores de Jair Bolsonaro após a divulgação de resultados preliminares de estudo sobre o remédio.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (17), o Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) defende os pesquisadores quem vem sofrendo ataques nas redes sociais após a divulgação de resultados preliminares com o uso da cloroquina em pacientes graves com Covid-19.

Liderados pela Fiocruz, pela Fundação de Medicina Tropical, pela Universidade do Amazonas e pela USP, o estudo é realizado por mais de 70 pesquisadores e estudantes de pós-graduação e colaboradores dessas instituições.

“Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19. A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)”, informa um dos trechos da nota.

Ainda de acordo com a instituição, a segurança dos funcionários é fundamental neste momento. trabalho

“A Fiocruz tem trabalhado incansavelmente em diversas frentes de atuação e vem a público clamar pela tranquilidade e segurança de seus pesquisadores, requisitos essenciais para o desenvolvimento de seus estudos. É fundamental alertar que a busca por soluções não pode prescindir do rigor científico e do tempo exigido para obtenção de resultados seguros e que as pesquisas devem se manter, portanto, fora do campo narrativo que constrói esperanças em cima de respostas rápidas e ainda inconclusivas.”

A Fiocruz ressalta a importância do trabalho científico na busca da solução para a pandemia.

“A Fundação apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia, e reafirma seu compromisso com a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira”, conclui o documento.

O uso da cloroquina é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro e por seus seguidores, que acreditam que o remédio pode ajudar a curar a Covid-19, o que não está comprovado.

Análises

As análises preliminares realizadas pela Fiocruz mostram que a dose de 10g de cloroquina provocava reações indesejadas nos pacientes, como arritmia e outras complicações graves.

Depois que o estudo foi publicado em uma revista científica, o jornal americano The New York Times divulgou o trabalho afirmando que ele tinha sido suspenso por causa das mortes.

As ameaças, a partir daí, se tornaram mais fortes. O próprio filho do presidente da República, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), endossou as críticas. Nesta sexta (17), ele retuitou um texto afirmando que pacientes morreram por tomar dose alta da cloroquina.

Na verdade, pacientes de dois grupos distintos vieram a óbito: tanto os que receberam dose alta como os que receberam a dose mais baixa de cloroquina, segundo informe divulgado pelos cientistas.

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