“Desligo os respiradores e os ajudo a morrer em paz”: relatos de uma UTI com pacientes de Covid-19

“Desligar um respirador é um dos momentos muito traumático e doloroso, para todos nos. Às vezes, chego ate pensar que sou um pouco responsável pela morte do paciente”, diz Juanita Nittla.

Os ventiladores mecânicos (mais conhecidos pela população em geral como “respiradores”) são um dispositivo essencial para o tratamento dos casos mais críticos afetados pelo COVID-19. Estima-se que cerca de 1% dos pacientes afetados por esta doença necessitem de respiração artificial por seus graves problemas respiratórios.

Sem esses ventiladores, seu prognóstico pioraria consideravelmente. Esses dispositivos desempenham um papel vital nessa pandemia. E a realidade é que se um enfermo não tem possibilidades de melhoras a decisão es desconectar para poder salvar outra vida que estar menos grave. Para pacientes mais graves com covid-19, ter um respirador pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Esses respiradores ajudam o enfermo, obter oxigênio que entra nos pulmões e depois libera ao mesmo tempo o dióxido de carbono, isto sucede quando o paciente já não consegue a respiração natural.

E o momento mais duro é quando essas máquinas respiratórias já não fazem nenhum efeito para salvá-los, então as equipes médicas de todo o mundo, tem que tomar difíceis decisões, quanto à interrupção de este tratamento nos pacientes.

“Desligar um respirador é um dos momentos muito traumático e doloroso, para todos nos. Às vezes, chego ate pensar que sou um pouco responsável pela morte do paciente”, diz Juanita Nittla.

Essas palavra são da enfermeira-chefe área da UTI do hospital Royal Free, na cidade de Londres.

Faz 16 anos que Nittla trabalha nesse hospital de enfermeira, na especialidade de Terapia Intensiva, e seu trabalho consiste no desligamento de esses respiratórios. E para ela essa é uma tarefa difícil, pois as vezes tem que decidir quem tira e quem deixa.

Último desejo

Na segunda semana de abril, ela teve que tomar uma grande e difícil decisão, quando chegou pela manha ao trabalho, seu chefe de área disse que ela teria que desconectar o respiratório de uma paciente que ela estava tratando a dias.

Mais o que mais partiu o coração era que essa paciente era também uma das enfermeiras, e ela conta que teve que ligar para a filha da enferma e informar a dura decisão de desconectar o respiratório.

Ela também transmitiu a filha o momento em que ela teve que tomar a decisão, informou a filha que a mãe não tinha sofrido, e que ate mesmo pareceu confortável. E também perguntou a filha sobre os desejos e as necessidades religiosas da mãe.

Na sala da UTI, os leitos são colocados um ao lado do outro. Ao lado da paciente terminal estava outros pacientes inconscientes

Via: g1.globo.com

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