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Eles convidaram um garoto maltrapilho para entrar na loja para se aquecer do frio e da chuva. Não imaginaria que iria chorar anos depois…

Esta história aconteceu no verão passado. Naquela época, eu trabalhava em uma loja de cosméticos. Todos os dias, eu via um adolescente sentado perto da loja. Ele parecia não ter mais do que 12 anos de idade. Todos os dias, ele ficava lá sentado, pedindo por dinheiro. E então, um dia, estava chovendo e fazendo muito frio. Mas o garoto continuou sentado na chuva, o tempo ruim não o assustou.

Meus colegas e eu decidimos deixá-lo entrar na loja para se aquecer um pouco. Nós o alimentamos, lhe demos um pouco de chá quente, tirei meu casaco e ofereci a ele, pedindo que tirasse a blusa molhada para se aquecer. Você sabe, muitas pessoas desprezam os mendigos, considerando-os golpistas, mas este menino era surpreendentemente bom, amigável e aberto. O nome dele era Kostia. Kostia disse que morava com a avó, que havia deixado a família e que sua mãe tinha morrido. Ele também tinha uma irmã mais velha, mas ela tinha se casado e se mudado para outra cidade. Ele ficou conosco, na sala dos fundos, até a loja fechar. Depois disso, percebi seus olhos marejados e não me contive em oferecer abrigo em minha tão humilde casa.

Minha casa era pequena, de tábua e um quarto apenas para mim, a esposa e 4 filhos. Mesmo assim arrumei
uma pequena cama dentre meus 4 filhos, para o garoto poder descansar e dormir. No dia seguinte enquanto eu me arrumava para a volta ao trabalho, o garoto se foi sem nada falar.

Algumas horas de trabalho e o garoto apareceu na loja novamente. Mas desta vez, ele segurava algo nas mãos. Eram dois pacotes, um pequeno, com suco e outro com algumas sementes de girassol. Ele nos saudou e nos entregou as iguarias, dizendo:

“Isso é tudo o que eu tenho para lhes agradecer …”

Não sei como consegui segurar o choro naquela hora. Havia um nó em minha garganta. Na mesma hora, eu me lembrei das palavras: “Aquele que tem menos, é o que mais dá.” E é assim mesmo.

Num impulso o convidei para ficar comigo e minha família. Ele comeria da mesma comida, e estudaria junto aos meus filhos. O garoto chorando disse-me: “Tudo o que eu mais queria, um lar e pessoas que me amassem.”

Passado 5 anos, Kostia já com 17 anos para completar 18, chegou a mim dizendo: Preciso voltar e saber se minha avó ainda vive, preciso ajudá-la.
Eu não poderia evitar e nem mesmo impedir que ele se fosse.

Passado mais 5 anos, minha esposa grávida do meu quinto filho, mas com problemas na gravidez(eclampsia) um dia pela manhã precisei levá-la ao próximo hospital da minha cidade. Eu estava apavorado e com muito medo. Chegando ao hospital, não tinha médico de plantão para o atendimento, e eu não tinha dinheiro para pagar um médico particular, e meu pavor crescia dentro de mim, sentia que perderia minha esposa e meu filho.

Quando derepente me apareceu um médico jovem sorridente e disse-me:

“Aquele que tem menos, é o que mais dá.”… Sua esposa e seu filho estão salvos, descanse!

Edição: Eloiza Prestes (autora)



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admin

One Comment

  1. A história é bonita ,mostra o lado solidário das pessoas. Só que ele saiu da casa dessa família que o acolheu com 18 anos,e encaminhado nos estudos., voltou para ver a avó, se formou em medicina ,sera que ele não foi ingrato com a família que o acolheu em sua casa,livrando-o quando criança da fome e do relento e dando estudo, por nunca ter voltado para procurar essa família, e só reencontrando por acaso no hospital? Onde ficou a gratidão da parte dele?

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