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((URGENTE)) Morre maior Cantor do mundo!

Morre maior Cantor do mundo

Figura central da geração que transformou Seattle, durante meia década, no epicentro das atenções e consumos musicais mundiais, o cantor dos Soundgarden tinha subido a palco horas antes em Detroit.

O músico Chris Cornell, conhecido vocalista dos Soundgarden, morreu esta quarta-feira à noite, em Detroit, Estados Unidos. O cantor tinha 52 anos. Cornell foi ainda vocalista dos Audioslave e dos Temple of the Dog, além de ter editado alguns trabalhos a solo. A informação foi confirmada à Associated Press pelo agente do cantor e guitarrista. A morte “repentina e inesperada” deixou a família em choque.

Na sua declaração, o agente do músico acrescenta que a família irá trabalhar em conjunto com a equipa de médica de investigação para determinar a causa da morte.

Os familiares pedem agora respeito pela sua privacidade.

A banda de rock norte-americana formada em 1984, em Seattle, Washington, tinha subido ao palco horas antes, em Detroit. Os Soundgarden marcaram o capítulo da história da música forjado no Noroeste dos EUA no final da década de 1980 e no início da década de 1990 ao lado de bandas como Nirvana, Alice in Chains e Pearl Jam. Só nos Estados Unidos, a banda vendeu mais de dez milhões de álbuns. Foram nomeados para nove Grammy, tendo recebido dois deles. “Desde que aprendi a tocar bateria aos 16 anos, já estava fora da escola”, descreveu no livro Everybody Loves Our Town, de Mark Yarm. Seguir-se-iam a guitarra, a composição, várias bandas e uma paixão pelos Beatles que vinha da infância.

Os Soundgarden foram, de facto, fundamentais na emergência daquilo que viríamos a conhecer como grunge, o movimento rock que marcou decisivamente os anos 1990.

Não o foram apenas pelo facto de o som que preservaram nos primeiros álbuns, como o EP Screaming Life, de 1987, ou o álbum de estreia, Ultramega OK, do ano seguinte, mostrar a combinação da atitude do punk hardcore com o peso dos Black Sabbath e a corrosão dos Stooges que viria a tornar-se marca do género. A génese da Sub Pop, a editora que foi casa e símbolo do grunge, encontra-se no momento em que um radialista, Jonathan Poneman, aborda a banda no final de um concerto. Estava tão entusiasmado com o que vira que queria financiar ele mesmo a edição de um disco. Os Soundgarden recomendaram-lhe que unisse esforços a Bruce Pavitt, amigo da banda e entusiasta da cena rock a fervilhar à época em Seattle. Assim nasceu a editora que, mais tarde, revelaria os Nirvana. Uma das razões para Kurt Cobain e Kris Novoselic se juntarem à Sub Pop foi, precisamente, esta ter no seu catálogo os Soundgarden – Screaming Life e Fopp foram os EP que ali editaram.

Heróis da cena underground de Seattle, tornar-se-iam porta-estandartes do movimento mundo fora depois de assinarem pela multinacional A&M, o que lhes valeu, como habitualmente à época, muitas críticas dos fãs iniciais, que consideravam a chegada a uma grande editora uma traição ao espírito punk que os movia. Os álbuns Louder Than Love e, principalmente, Badmotorfinger, editado em 1991 e que acabaria por ficar no sombra do furacão Nevermind, o disco que catapultou os Nirvana para o estrelato, mostraram, porém, uma banda que no som e na temática representava bem a fúria, as angústias e a atitude insurrecta do rock associado ao cenário grunge – Jesus Christ pose, o primeiro single de Badmotorfinger, que a banda apresentou como crítica a quem se apropriava indevidamente da religião para propósitos egoístas, foi censurado na MTV e valeu à banda muitas críticas dos sectores mais conservadores da sociedade americana, que a consideravam uma canção anti-cristã.

À descarga eléctrica das canções, ora furiosa, ora exibindo os movimentos compassados e o tom grave dos supracitados Black Sabbath.

Chris Cornell, que entrara nos Soundgarden como baterista/vocalista, sobrepunha o seu grito ondulante capaz de se passear por quatro oitavas, dando-lhes um carácter dramático que se tornou uma das marcas mais reconhecidas dos Soundgarden e que o elevou a voz mais virtuosa entre as que fizeram o rock da sua geração. Recorrendo a dois dos seus heróis, podemos dizer que, nele, se unia o dramatismo bombástico de Robert Plant com a urgência estridente de Ozzy Osborne.



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