Engenheiro Registra Início de uma das Microexplosões; Veja essa matéria…

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Na foto, é possível observar que o vórtice da nuvem é bem circular e não toca o solo, o que seria a característica de um tornado.

Um engenheiro registrou alguns dos 1.450 raios que caíram em quase sete horas de chuva na madrugada de domingo (5), em Campinas (SP). Ele também flagrou o momento exato do surgimento de uma das microexplosões que atingiram a cidade.
A importância da imagem foi atestada pela diretora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp (Cepagri), Ana Ávila. Ela ressaltou ainda o comportamento repetitivo das microexplosões nos últimos dias e alertou para a possibilidade do fenômeno se tornar mais frequente com as mudanças climáticas em curso no planeta.

“A microexplosão é mais violenta que um tornado. O curioso é que elas não costumam acontecer nesta época do ano. Essa repetição de eventos, nesta época do ano, é um fenomeno novo que ainda será estudado. Não sabemos explicar porque estão acontecendo agora. O que podemos afirmar é que, com certeza, as mudanças climáticas poderão tornar situações como estas mais frequentes”, lamenta Ana.
Vórtice
Segundo a meteorologista, é importante observar na foto [acima] o vórtice inferior da nuvem. No caso de um ciclone, este vórtice seria bem semelhante ao da imagem, mas tocaria o solo.
Ela explica ainda que, no fenômeno da microexplosão, a torção da nuvem faz uma varredura na área onde cai e, por isso, as árvores de uma região atingida, por exemplo, tombam para a mesma direção.
O registro foi feito pelo engenheiro químico Rafael Coutinho, de 53 anos, apaixonado por tempestades e que não pensou duas vezes na hora de ligar a câmera para documentar as centenas de raios que caíam sobre a cidade. O que ele não esperava era conseguir captar em um de seus frames o fenômeno.
“Foi impressionante. Moro em Alphaville e nunca tinha visto nada igual. Liguei a câmera e, quando vi a foto, comentei com as minhas filhas que parecia a formação de um tornado. Foram raios e relâmpagos como nunca vi. Não apagava. Fotografei mais de 200 raios. Deixei a câmera aberta por alguns segundos na varanda de casa. Era um clarão atrás do outro”, relembra.

Chuva elétrica
Nos mais de 200 registros que fez, Rafael conseguiu ainda captar uma supercélula, um tipo de tempestade caracterizada pela presença de uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem e uma incrível sequência de raios.
Ele capturou também uma sequência de raios, entre 0h21 e 0h25 da madrugada de domingo, que caracterizam uma chuva elétrica.
Dados fornecidos pela Rede Brasileira de Descargas Atmosféricas (BrasilDAT), operados com exclusividade pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que, entre as 20h de sábado (4) e 2h40 de domingo, foram registrados 1.450 raios em Campinas.
O fenômeno voltou a acontecer e, das 18h de domingo à 1h40 desta segunda-feira (6) foram 553 descargas elétricas. Segundo as refrências dos pesquisadores do Elat, a partir de 100 raios por dia a incidência é considerada alta, mas dentro da média.
A fotógrafa Ana Carolina Alves também fez registros dos raios na cidade. Moradora do bairroTaquaral, ela conta ter ficado impressionada com os clarões no céu. “Foram quase 25 minutos ininterruptos. Nunca tinha visto nada igual, foi incrível”, finaliza.

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Foto registra a formação da chamada de supercélula, tipo de tempestade caracterizada pela presença de uma corrente de ar ascendente que gira no interior da nuvem.

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Sobreposição de fotos entre as 00:21h e 00:25h da madrugada do dia 05 mostra a chuva elétrica na cidade.

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