Adeus a Cauby Peixoto

Artista morreu na noite deste domingo, 15, e velório acontece no salão nobre da Assembleia Legislativa do Estado na manhã de segunda-feira, 16.

O corpo do cantor Cauby Peixoto – que morreu na noite deste domingo, 15, em São Paulo, aos 85 anos – está sendo velado na manhã desta segunda-feira, 16, no salão nobre da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. A movimentação no local começou pouco depois das 8h com a chegada de um carro da funerária com a paramentação para o velório. O corpo chegou ao local pouco antes das 9h e velório seguiu até às 15h20, quando o caixão foi fechado para ser encaminhado para o Cemitério de Congonhas em um caminhão do corpo de bombeiros.

Angela Maria se emociona
Um dos primeiros a chegar ao local foi Daniel D’Ângelo, marido da cantora Angela Maria – amiga e parceira de longa data de Cauby. Muito abalada, a cantora chegou apenas por volta das 13h20, e foi amparada por amigos e pelo marido para dar seu último adeus ao amigo.

“Não perdi um amigo, perdi um irmão. Não esperava que fosse tão cedo, esperava continuar por muitos e muitos anos ao lado dele”, afirmou a cantora . Angela, que adorava interpretar a canção “Ave Maria” na companhia de Cauby, também falou sobre as principais características do amigo. “Ele era mais alegre no palco. Fora do palco, era mais calado. Falava pouco, mas falava bem. Não falava mal de ninguém. Não abria a boca para achar defeito em ninguém. Para ele, todas as pessoas eram ótimas . Era um ser humano fora de série”, elogiou a cantora.

Angela ainda falou sobre o último encontro com o cantor, antes de uma apresentação dele no Rio de Janeiro. “Perguntei a ele se estava bem e ele disse que sim, mas não estava. Estava bem fraquinho”.

Sem conter as lágrimas, a cantora relembrou a relação dos dois. “São 67 anos de amizade, de palco. Me lembro de tudo. Só tivemos coisas boas”, disse ela, sempre ao lado do marido.

“A Angela está muito triste, muito abalada, muito chocada. Protelei a notícia o máximo que consegui, mas vazou e eu tive de ligar, contar e pedir para ela ficar calma em casa. São 67 anos de amizade da Angela com Cauby e comigo são 37. Eu dizia que ele era meu cunhado, porque Angela e ele são irmãos. Foi uma trajetória linda que vivemos. Tentei evitar ao máximo dela visitar elenco hospital. Ele já apresentava uns probleminhas de saúde, mas dava para se cuidar em casa, aí se agravou e teve de ir pro hospital”, disse Daniel.

Ainda segundo ele, a última vez que Angela e Cauby se viram foi no dia 3 de maio no teatro municipal do Rio de Janeiro.

Na madrugada desta segunda Daniel já havia conversado com o EGO e disse que a cantora recebeu a notícia com bastante tristeza e lágrimas. “Ela está em choque com a morte do Cauby. Na hora que ela ficou sabendo chorou muito e começou a gritar. Como eu estava no hospital ajudando a família do Cauby, tive que pedir pra minha mãe ir em casa cuidar da Angela. Não é fácil, os dois eram amigos há 67 anos”, disse ele.
Angela e Cauby estavam, inclusive, em turnê pelo país com o projeto “120 anos de música” – em comemoração aos 60 anos de carreira de cada um. No repertório, a dupla cantava sucessos como ‘Conceição’, ‘Babalu’ e ‘Gente humilde’.

Amigos emocionados
Nancy Lara, amiga e assessora de Cauby, estava muito emocionada e falou sobre a relação do artista com a família.

“Ele tinha uma vida de artista né? Muitos shows, entrevistas, então não tinha esse estreitamento de relação com a família. Ainda mais porque eles moram no Rio e ele aqui em São Paulo. Mas quando ia para lá sim, era uma festa”, disse ela, antes de completar: “Só convivia com ele quem ele queria. Ele estava se sentindo muito cansado, teve uma febre e levamos pro hospital na quinta. Chegando lá foi diagnosticado com pneumonia”, disse Nancy.

Amigos famosos, como os cantores Agnaldo Timóteo, Agnaldo Rayol e Supla, e a senadora Marta Suplicy, entre outros, também foram se despedir do artista.

“Ele estava sofrendo muito”
Agnaldo foi um dos amigos a prestar homeganem no velório. “Nossa história é longa e de amor recíproco. Ele era e vai continuar sendo meu grande ídolo. As pessoas falam muito de ‘Conceição’, mas Cauby fez muitos sucessos e é preciso mostrar quem realmente ele foi. Ele estava sofrendo muito. Deus soube a hora certa de levá-lo”, disse Agnaldo, que falou ainda falou sobre a nova safra de cantores. “Estamos perdendo os cantores de nossa época. E está chegando mc bin laden, mc sei lá mais o que. É terrível . Não estamos recebendo os cantores que tomarão nossos lugares. É preciso que eles aprendam a criar coisas que vão durar 50 anos”.

Agnaldo Rayol foi muito assediado ao chegar ao velório de Cauby Peixoto. Enquanto fãs gritavam seu nome, o cantor falou sobre sua relação com Cauby. “Além do fã que eu sempre fui dele, ele era um grande amigo . Uma pessoa adorável, que sempre tratava todo mundo de maneira carinhosa, com muita calma . Um cantor extraordinário”, afirmou ele.
“A mensagem que ele gostaria que ficasse é de música, de alegria, de canção. A vida dele era essa. Cauby vivia para cantar, vivia para seu público . A mensagem hoje é de lembrança , de carinho, de amor, de música . Ele foi e sempre será um grande representante da música brasileira”, completou Rayol.

Lilian Gonçalves, filha do Nelson Gonçalves e amiga de Cauby “desde pequena”, como ela mesmo revelou, também conversou com o EGO. “Cauby entrou várias vezes em vários hospitais, todas as vezes achamos que seria a última e dessa vez não achamos porque ele estava ótimo. Aí na sexta ele já começou a misturar, não estava mais reconhecendo (as pessoas). Ontem o médico avisou que seria a hora ideal para fazer uma oração para ele. Os amigos que o acompanham estavam todos lá, umas 20 pessoas, Tiago, Rodrigo, Daniel, Nancy, e a cuidadora Ana, que cuidou até o último momento dele. Demos as mãos e fizemos uma oração ao redor da cama. Ele se mexeu, sentiu. Na última palavra da oração, ‘amém’, foi quando parou de bater aquele controle cardíaco. Aí todo mundo entrou em pânico”, contou ela.

“Mas o Cauby foi muito feliz, teve uma morte muito serena. Os melhores amigos estavam ali. Maior cantor do Brasil, a pessoa mais discreta que já vi na vida e a mais glamourosa. A música brasileira hoje está de extremo luto. Igual ao Cauby não vamos mais ter. Eu perdi um amigo, um pai, um irmão. Nos falávamos sempre de música e show, ele amava o show que eu produzi para ele, dizia que tinha sido o melhor. Toda vez que nos falávamos ele dizia isso ou então falávamos da galinhada que faço e ele adorava”, completou Lilian.

Silvia Scaciota, outra grande amiga do cantor, também falou sobre a perda. “Ele sempre foi muito quieto, mas gostava muito de cantar. No hospital ele cantou para as enfermeiras, “Conceição”, “Bastidores”. Ele morreu feliz. A coisa mais linda do mundo foi estar próximo do Cauby. Ele era dócil, meigo, bondoso, muito humilde. Os familiares dele somos nós. A família dele mora no Rio, eles foram avisados ontem que ele tinha piorado muito, mas estamos aguardando”, disse ela.

Luis Mauricio, que apresentava os shows de Cauby no Bar Brahma, relembrou a o temperamento do cantor: “Desde 2008 apresento os shows dele. Sempre bem humorado, brincando. Era uma criança e o que ele mais gostava de fazer era cantar. O que me deixa feliz é que ele foi com dignidade fazendo o que mais gostava.”

Famíliares distantes
Ainda segundo amigos do cantor, sua irmã Andiara Peixoto, e as sobrinhas Magali e Angela, que moram em Florianópolis, estão a caminho da cerimônia.

Saúde debilitada
Cauby Peixoto morreu por volta das 23h50 da noite deste domingo, 15. Ele estava internado no hospital Sancta Maggiore, no Itaim Bibi, em São Paulo, e a informação foi confirmada ao EGO pela assessoria de imprensa do cantor na madrugada desta segunda.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, a morte do cantor foi causada por complicaçãoes decorrentes de uma pneumonia. Ele estava no centro médico desde o último dia 9.
Na página oficial de Cauby no Facebook, foi colocado um comunicado sobre a morte do músico: “Com muita dor e pesar informamos aos amigos e fãs que nosso ídolo Cauby Peixoto acaba de falecer as 23:50 do dia 15 de maio . Foi em paz e nos deixa com eterna saudades. Pra sempre Cauby!”.
Famosos lamentam
Nas redes sociais, várias celebridades lamentaram a morte de Cauby, entre elas Patrícia Pillar, Daniela Mercury e Maria Rita. “Os brilhos, os blazers, o cavalheirismo, o rosto desenhado, a doçura, o camarim, o gin, a Conceição, A VOZ! Que inspiração arrebatadora, que artista! Cauby, obrigado por ter sido tanto nas minhas escolhas. Vou te ver e ouvir pra sempre, cada vez mais! Que noite triste”, escreveu Patrícia.

Última entrevista
Na sexta-feira, 13, foi ao ar uma entrevista que Cauby concedeu ao “Vídeo Show”, na Globo. Durante a conversa, ele aparentava estar bem de saúde e relembrou a época em que as fãs rasgavam suas roupas. O programa também promoveu o encontro de Cauby com o cantor e Gabriel Diniz, que se inspira no estilo do artista.

Carreira de sucesso
Cauby Peixoto iniciou sua carreira na década de 1950. Gravou seu primeiro disco em 1951, mas começou mesmo a chamar a atenção quando conheceu Edson Collaço Veras, o Di Veras, em 1954. O empresário, que morreu em 2005, foi responsável pelo marketing da carreira do cantor e inventou noivados e histórias que fizessem com que ele não saísse das páginas dos jornais, além de bolar os trajes, o repertório e maneira de Cauby agir perante o público.

De acordo com o site oficial do cantor, foram 49 álbuns lançados e dezenas de sucessos, entre originais e reinterpretações, como “Conceição”, “Blue Gardênia”, “A pérola e o rubi”, “Tarde fria”, “Lábios que eu beijei”, “Solidão”, “A noiva”, “Molambo”, “É tão sublime o amor”, “Bastidores”, de Chico Buarque, e “New York, New York”, famosa na voz de Frank Sinatra.

Cauby também conquistou fama internacional. Em 1959 chegou a ser chamado de ‘Elvis Presley brasileiro’ pela revista “Time” e gravou um álbum em inglês, com nome artístico de Ron Coby. Sua música “Blue gardênia” foi tema do filme de Hollywood de igual título, que lhe abriu as portas para o estrelato. Ele também ficou conhecido na Itália, onde venceu, em 1970, o Festival de San Remo com a canção “Zíngara”.

Em 1964, abriu a famosa boate Drink, no Leme, em Copacabana, ao lado dos irmãos Moacyr, pianista; Arakén, trompetista; e Andyara, cantora; apresentando-se em seu palco por quatro anos.

Sua grande parceira de palco foi sua amiga Ângela Maria, com quem gravou três discos, “Ângela e Cauby”, “Ângela e Cauby ao vivo”, e “Reencontro”.

Em 1995, Cauby gravou pela Som Livre o CD “Cauby canta Sinatra” ao lado de grandes nomes da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Zizi Possi, e de uma estrela internacional, Dionne Warwick, interpretando clássicos da carreira do cantor norte americano.
Em 1980, Cauby grava o LP “Cauby! Cauby!”, em comemoração aos seus 25 anos de carreira. No disco, destaque para a gravação de “Bastidores”, de Chico Buarque e “Loucura”, de Joanna e Sarah Benchimol. A música título do disco foi composta especialmente para ele por Caetano Veloso e a partir de então, voltou a receber convites para se apresentar em palcos de maior prestígio.
Cauby, o mito
Ao completar 80 anos de vida e 60 de carreira, Cauby lançou seu último trabalho: um box comemorativo intitulado “Cauby, o Mito” com 3 CD’s, sendo um com músicas dos Beatles (“Caubeatles”) o segundo em conjunto com o violonista Ronaldo Rayol (“A Voz do Violão”” e o terceiro, “Cauby ao Vivo – 60 anos de música”, com registros de show captado nos dias 9 e 10 de abril/2011 ao lado de convidados como Ângela Maria, Fafá de Belém, Agnaldo Rayol, Emílio Santiago, Agnaldo Timoteo e Vânia Bastos.

2_1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*